PORTAL AQUI VALE - Brasileiros sem recursos para aposentadoria - Abril 2026

6 em cada 10 brasileiros não têm recursos para a aposentadoria, aponta pesquisa
Falta de planejamento, foco no curto prazo e dependência do INSS colocam em risco a segurança financeira no futuro

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O Brasil enfrenta um cenário preocupante quando o assunto é planejamento para a
aposentadoria. De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Educadores Financeiros
(Abefin)
, em parceria com o Instituto Axxus, 62% dos brasileiros em idade produtiva não possuem
qualquer recurso destinado ao longo prazo, ou seja, seis em cada dez não se preparam
financeiramente para o futuro.

O levantamento também mostra que, mesmo entre os 38% que possuem algum tipo de reserva,
há insegurança e falta de estratégia definida. Entre esse grupo, há uma dispersão nas formas de
poupança: 31% citam o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 42% a previdência privada e
38% recorrem a alternativas como poupança, imóveis ou investimentos. Ainda assim, muitos não
acreditam que conseguirão manter o padrão de vida na aposentadoria e já projetam a
necessidade de continuar trabalhando.

Para o assessor de investimentos e sócio-fundador da TIR Investimentos, Bruno Moura, o cenário
é reflexo de fatores culturais, econômicos e comportamentais. “No Brasil, ainda existe uma
cultura de foco no curto prazo. As pessoas priorizam necessidades imediatas e acabam adiando
decisões que só terão impacto no futuro. Além disso, a baixa educação financeira faz com que
muitos não tenham clareza sobre o quanto precisam acumular para manter um padrão de vida
minimamente confortável”, explica.

Segundo ele, a pressão sobre o orçamento também dificulta o planejamento de longo prazo.
“Grande parte da população vive com a renda comprometida, o que reduz a capacidade de
poupança. Ao mesmo tempo, ainda existe uma confiança implícita no sistema público,
especialmente no INSS, que leva muitas pessoas a adiar decisões importantes”, afirma. Moura
alerta, no entanto, que essa dependência pode representar um risco relevante.

“Além de existir um limite de benefício, que muitas vezes não é suficiente para manter o padrão
de vida, há também incertezas relacionadas a mudanças nas regras ao longo do tempo. Com o
aumento da longevidade e a queda da taxa de natalidade, o sistema passa por uma pressão
estrutural, o que reforça a necessidade de complementar essa base com outras estratégias”,
explica.

Entre os erros mais comuns no planejamento de longo prazo, o especialista destaca o início tardio
e a falta de estratégia. “O principal erro é começar tarde. O tempo é o maior aliado dos
investimentos, e adiar essa decisão exige aportes muito maiores no futuro. Também é comum ver
pessoas que poupam sem um objetivo claro, sem saber quanto precisam acumular e em quanto
tempo”, afirma. Ele acrescenta que escolhas inadequadas, como manter recursos apenas na
poupança, e a falta de disciplina nos aportes também comprometem os resultados.

Para quem já começou a se planejar, a recomendação é evitar decisões isoladas e buscar uma
estratégia estruturada. “Não existe uma solução única. O INSS deve ser visto como uma base, uma
proteção mínima. A previdência privada pode complementar essa estrutura, enquanto os
investimentos ajudam no crescimento patrimonial e na preservação do poder de compra. O mais
importante é construir uma estratégia diversificada, que combine segurança, liquidez e
rentabilidade ao longo do tempo”, orienta.

Mesmo para quem tem renda mais baixa, o planejamento é possível e necessário. “O mais
importante não é o valor inicial, mas o tempo e a consistência. Começar cedo, mesmo com
quantias pequenas, faz uma grande diferença por causa dos juros compostos. O primeiro passo é
organizar o orçamento e criar o hábito de poupar, ainda que com valores reduzidos”, conclui.


Por Portal Aqui Vale

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